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11 de abril de 2010. | N° 731 LIVRE MERCADO | Claudio Loetz
O presidente do Instituto Joinville, empresário da construção civil e ex-secretário de Habitação, o tucano Ivandro de Souza defende a terceirização dos serviços de licenciamento ambiental e de concessão de alvarás por parte da Prefeitura de Joinville para a construção de empreendimentos e de imóveis. Entende que no bairro Bucarein poderiam ser construídos prédios de até 40 andares. E critica a ida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná para a área central, onde ficava a fábrica da Wetzel.
Ivandro de Souza é empresário, dono da construtora Convisa e presidente do Instituto Joinville. Desde 1998 em Joinville, foi sócio de Luís Batschauer em imobiliária. A Convisa surgiu em 1990. Em 1996, entrou no segmento de incorporação. Em 2000, decidiu focar na venda de clientes próprios. Foi secretário de Habitação da Prefeitura de Joinville. É filiado ao PSDB. Nos fins de semana, cumpre agenda familiar.
Estudo contratado junto a Delfos, com amostra de 600 pessoas de diferentes regiões do município, feito no mês passado, mostra três razões para o joinvilense escolher a construtora na hora da compra: tradição mercadológica e tempo de atuação; qualidade do atendimento e certificações de qualidade. Oitenta e seis por cento da população pesquisada mora em casa; 60% preferem morar em casa; e 75% dos entrevistados moram em imóvel próprio. Os joinvilenses consideram essencial os prédios oferecerem câmeras de segurança (64%); garagem (62%); área verde (56%); elevador (54%) e churrasqueira (34%).
Desde o início, há 20 anos, a Convisa lançou 30 empreendimentos. Vinte e nove em Joinville e um em Jaraguá do Sul. Estamos analisando o mercado de Blumenau. Há uma oferta de terreno no centro para a construção de prédio comercial de 6.700 m².
O valor do metro quadrado, em Blumenau, é menor do que o de Joinville. Muita gente de municípios próximos - Gaspar, Pomerode e Indaial - compra e investe em imóveis em Blumenau. Isso não acontece com os moradores de cidades vizinhas a Joinville. Aqui, pouco se vê investidores de Garuva, Jaraguá do Sul, São Francisco do Sul, por exemplo. O joinvilense compra para si mesmo.
O que define a compra de um imóvel é a tradição da construtora. A vinda de concorrentes de fora gera evolução no mercado. Os clientes pedem sustentabilidade. Apostam em projetos que reaproveitam a água de chuva e têm espaço para animais. Os das classes A-B e C+ querem segurança. Os da C-, D-E optam pelo preço e condições de pagamento.
O investidor/comprador de imóveis, em Joinville, tem entre 25 e 55 anos. No município há, aproximadamente, 150 mil moradias. Um quarto mora em imóveis alugados. Então, temos 30 mil potenciais interessados em ter casa própria.
Temos um mercado comprador. E continuará assim pelos próximos cinco anos. Nunca houve tanta oferta de crédito e de bens como agora. O Brasil está no berçário do setor de imóveis. Desde 2008, foram lançados de cinco mil a seis mil imóveis em Joinville. Quando os juros baixarem mais, será ainda melhor. O FGTS remunera a 3% ao ano e o governo cobra 6% ao ano do tomador de empréstimo de quem quer financiar mutuários. Joinville continuará crescendo e continuará atraindo novas empresas e migrantes que querem trabalhar e estudar aqui, por conta da infraestrutura disponível.
As pessoas das classes A-B procuram imóvel na região Norte. As das classes C-D-E vão para a região Sul, onde o preço é mais baixo. O valor do m² varia até 30% entre as duas regiões. Daqui a alguns anos pode ser diferente, com a construção da fábrica da General Motors, do campus da Universidade Federal de Santa Catarina e do Centro Empresarial Ajorpeme.
Há dificuldade para se aprovar novos loteamentos residenciais em Joinville. Então, a solução econômica passa por apartamentos. A verticalização reduz os custos de infraestrutura urbana. É claro que é necessário estudo de impacto de vizinhança. É errado liberar a construção de 600 apartamentos no final do bairro Vila Nova, na região Oeste da cidade.
O novo shopping vai fortalecer a região. Haverá pressão por imóveis no bairro. Entendo como um engano Angeloni e Giassi se concentrarem na rua João Colin por causa da dificuldade de trânsito. A ida da PUC para o imóvel da Wetzel, ao lado do Shopping Mueller, no centro da cidade, é errado pela mesma razão. A área da Wetzel (no centro) é privada e de interesse público. A Prefeitura deveria ter dado incentivo para a PUC ir para a região Sul. Isso evitaria o congestionamento que virá.
A região do Bucarein deve ser verticalizada e receber prédios altos. Tem boa infraestrutura viária, e necessita ser revitalizada, Em terreno de 4 mil m² daria para fazer prédios de 40 andares, com recuos de 15 metros.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuj) precisa ser reinventado. Precisa planejar a cidade. Tem uma equipe boa, mas precisa ter uma Diretoria de Engenharia de Tráfego. Do jeito que está, os técnicos dão suporte aos projetos que chegam ou são elaborados na Secretaria de Infraestrutura.
Termino meu mandato à frente do Instituto Joinville neste mês. Possíveis sucessores são os empresários Volnei Batista e Maria Aparecida (ambos ex-presidentes da Ajorpeme); Luiz Kunde (ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas) e Eduardo Miers.
A concessão de licenças ambientais e a concessão de alvarás para funcionamento de negócios e construções devem ser terceirizados. Acho que a Prefeitura pode credenciar escritórios de arquitetura e de engenharia capacitados, que cumprissem exigências de qualidade, nos moldes dos reconhecidos institutos que avaliam organizações com medidas de padronização, como os internacionalmente conhecidos ISOs. A fiscalização será feita em cima destes escritórios selecionados e aptos ao trabalho. Mas o corporativismo na área pública não permite isso.
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